Colunistas
Fogo amigo (by Felipe Gabrich) - Quinta, 18 Dezembro 2014 09:06
Está tudo dominado (by Mara Narciso) - Domingo, 14 Dezembro 2014 18:22
Trailer - Mad Max: Fúria da Estrada - Quinta, 11 Dezembro 2014 12:00
Seu nome é Gal (by Felipe Gabrich) - Quinta, 11 Dezembro 2014 10:54
E agora, José? (by Felipe Gabrich) - Domingo, 30 Novembro 2014 18:00
Curiosidades sobre o seriado do Chaves - Domingo, 30 Novembro 2014 17:16
A morte da Hydra (by Felipe Gabrich) - Segunda, 24 Novembro 2014 08:17
baner de mara narciso
Sábado, 20 Julho 2013 14:39

Coagulação intravascular disseminada pós-parto (by Mara Narciso)

Avalie este item
(1 Votar)

 

Bebe - gravidaA ocasião de parto, seja normal ou cirúrgico, traz esperança para a família, pois se trata geralmente de gestante jovem, e um novo membro da família está por
vir. O sexo já é conhecido, o quarto está arrumado a sua espera e o nome, já sabido por todos, é referido como se o neném já tivesse nascido. Então o parto cesariano não acontece como o esperado. A criança é retirada normalmente, porém, no decorrer da cirurgia começa uma hemorragia nos locais de corte. Cada tentativa de estancar o sangramento amplia a perda de sangue. Cada vez que o cirurgião passa a agulha com o fio para costurar, abre mais um ponto de sangramento. Toda equipe médica fica em pânico, e é preciso agir rápido.


Aumenta-se o soro enquanto se busca sangue fresco e hemoderivados, pois já se sabe tratar-se de uma Coagulação Intravascular Disseminada, felizmente rara, porém geralmente fatal. A anestesista faz as manobras e usa drogas para ajudar na manutenção da pressão e dá suporte à respiração. O sangue demora a chegar. É preciso retirar o útero, pois o maior sangramento vem dele. Isso é feito com toda a rapidez possível dentro daquele universo coberto de sangue. São dadas várias bolsas de sangue e plasma sob pressão. A paciente está chocada – pressão zero. A situação é desesperadora. A criança, infelizmente, é mal formada e, dias depois, vem a falecer. E a mãe, mesmo sendo encaminhada ao CTI de outro hospital, não resiste. O que era esperado para ser alegria foi uma tragédia. Os envolvidos ficaram desolados.


Bebe 2 -hemorragiaNormalmente o sangue não se coagula no interior dos vasos sanguíneos devido a um delicado equilíbrio entre os mecanismos de coagulação, que a um leve trauma dos tecidos ou do endotélio - parte interna dos vasos sanguíneos- dispara a formação de coágulos, e o sistema oposto, que é a fibrinólise que impede a coagulação. Também existem inativadores naturais da coagulação e do seu oposto em permanente vigília, a fibrinólise. Quando o sistema se desregula formam-se trombina, fibrinogênio, depois fibrina, que se depositam nos vasos, causando a coagulação intravascular. Esta pode ocorrer de forma generalizada ou local. De forma secundária, simultaneamente numa ação de defesa é ativada a fibrinólise, para coibir a excessiva coagulação. Não se sabe ao certo, mas algum material tromboplástico entrando na corrente sanguínea é que inicia a coagulação patológica.


Em todo o processo de Coagulação Intravascular Disseminada há uma complexa situação de coagulação geral, consumo dos fatores que fazem o sangue coagular e a ação maciça da fibrinólise, que impede a coagulação levando a hemorragia. Este tipo de doença é chamado coagulopatia de consumo porque há hemorragia, mas sem agentes disponíveis para coagular o sangue.


Esse processo tem várias causas entre leucemias e cânceres, e pode ser uma complicação obstétrica da pré-eclampsia, eclampsia, aborto séptico, rupturaBebe 4 - sangue dentro de um vaso sanguneo uterina, descolamento da placenta ou embolia do líquido amniótico. Estas situações podem ativar a coagulação pela entrada de substância estranha ao sangue, e este material pode desencadear a coagulação. Disparada a ação, os fatores de coagulação são depletados, isto é, consumidos, surgindo o processo de hemorragia, mesmo com o outro sistema, a fibrinólise cumprindo seu papel. Desaponta, mas a fisiopatologia de tão dramático evento acarreta coagulação (trombose) e hemorragia em lençol simultaneamente.


Não raro, uma pessoa vai visitar a parturiente e se assusta com um filete de sangue já chegando até a porta, ou nota uma palidez extrema na mulher que teve um filho há pouco tempo. O alerta é dado, a vida está por um fio. A emergência é acionada e em muitos casos não é possível estancar o sangue sem a retirada do útero. À vezes nem Bebe 3 - petalas-de-rosaisso salva, sendo alta a incidência de morte.


No tratamento, é preciso cuidar do fato que desencadeou o processo. O suporte é dado com a infusão de líquidos, manutenção da pressão e da respiração, correção da acidose, e uso do anticoagulante heparina (discutível), que corrige a coagulação dentro dos vasos, porém agrava a que ocorre em outras áreas. É preciso dar sangue fresco com os fatores de coagulação ativos, plasma e plaquetas, cuja melhora tem efeito fugaz.


A dramaticidade de episódios como estes ensina a fragilidade da vida diante de fatos corriqueiros, aparentemente sob controle, como ter um filho. Uma imensa sombra pode estar a espreita.

 

Ler 2196 vezes Última modificação em Sábado, 20 Julho 2013 14:52

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

Visitantes OnLine

Temos 133 visitantes e Nenhum membro online

Colunistas

aldeci - andre aguia arthur -
bia carlos denis delano
carlos augusto fabio Felipe Gabrich
fernando yanmar gal bernardo hamilton
helio mara octacilius
ralf raphael reis robson bp
rosilene ricardo arruda silvana

Giro GNews

Notícias dos Colunistas

face TWITTEROK

Últimas Notícias